Cabelo longo, correntes e óculos escuros: como Léo Canhoto e Robertinho mudaram a 'cara' do sertanejo

  • 04/05/2026
(Foto: Reprodução)
Dupla Leo Canhoto e Robertinho usavam cabelos longos, óculos escuros e correntes, fugindo da tradicional estética caipira. Reprodução/EPTV Cortes de cabelo, botas e chapéu de cowboy, fivelas, e muito brilho: a moda ou “traia” sertaneja está bem consolidada no imaginário popular, mas nem sempre foi assim. Na década de 1970, Léo Canhoto e Robertinho chocaram ao trocar a clássica estética caipira por cabelos longos, óculos escuros e correntes. Jornalista e especialista em música sertaneja, André Piunti explica que até então o padrão estético do gênero era bastante rígido, e era comum que duplas sertanejas se apresentassem com roupas idênticas. “Eles já tinham uma ideia de modernizar as coisas. Mudaram as roupas, antes todo mundo se vestia igual, tinha aquela coisa bem caipira mesmo. O Léo Canhoto era um cara cabeludo, o Robertinho também cabeludo, com óculos, com correntes”, descreve Piunti. 🤠 Esta reportagem faz parte de uma série sobre música sertaneja que marca o lançamento do concurso cultural "ÉPra Cantar". Nesta edição, a dupla vencedora vai se apresentar na Festa de Peão de Barretos, o maior rodeio da América Latina. VEJA TAMBÉM Da Arábia para o interior: como a viola se tornou símbolo da cultura caipira Da Arábia para o interior: como a viola se tornou símbolo da cultura caipira A maioria das duplas eram formadas por irmãos, como Tonico e Tinoco, o que reforçava esse modelo caipira. Com isso, as roupas iguais viraram uma tradição e também uma maneira de valorizar a simplicidade do campo. No entanto, Léo Canhoto e Robertinho preferiram o figurino de rockstar e levaram guitarra, baixo e bateria – ou seja, uma banda – para um gênero que antes se limitava ao violão e à viola. Para Hudson, da dupla com o Edson, “Léo Canhoto e Robertinho foi a primeira dupla hard rock do Brasil”, o que não quer dizer que eles não eram sertanejos. Piunti explica que o gênero sempre fez bom proveito de outras referências. “O pessoal fala: ‘Eu gosto da música sertaneja pura. Ela nunca foi pura. Ela sempre foi uma mistura de influências de vários lugares”, afirma. Essa mistura ficava cada vez mais evidente na década de 1970. Com o sucesso da Jovem Guarda e diante de um Brasil cada vez mais urbano, a sonoridade, o visual e os temas das músicas sertanejas mudavam. Aos poucos, as letras ficaram mais românticas e as críticas, mais severas. ✅ Participe do canal do g1 Campinas no WhatsApp Era comum que radialistas e cantores tradicionais acusassem duplas de "estragar o sertanejo", como Léo Canhoto e Robertinho ou Lourenço e Lourival – que, em 1971, lançaram “Como Eu Chorei” inspirada na Jovem Guarda”. Inezita Barroso, por exemplo, barrava várias músicas e artistas em seu programa Viola, Minha Viola para preservar o que ela definia como cultura caipira – uma sonoridade que predominou até o fim da década de 1960. “O Milionário dizia que a Inezita falava: ‘Você não vai cantar isso no meu programa’. Chegou a tirar música do Milionário e Zé Rico, que é uma dupla indiscutível”, diz Piunti. Juventude sertaneja O visual e a música de Léo Canhoto e Robertinho e de seus contemporâneos não era rebeldia sem causa. A imagem individualizada e moderna era uma aposta para se diferenciar e atrair, principalmente, o público jovem. Essa adaptação às mudanças da vida cotidiana foram fundamentais para a sobrevivência da música sertaneja. Segundo Piunti, letras atuais sobre festas, bebedeiras e sofrência refletem o dia a dia do jovem de hoje, assim como a música caipira retratava a vida no campo antigamente. A adaptação constante permitiu que o sentimento de "vergonha" de ser do interior fosse substituído pelo orgulho de pertencer ao campo. Essa revolução estética é impulsionada em especial por influenciadores do agro que, ao mostrarem a rotina na roça e ostentarem a “traia” de peão, conectam jovens de diferentes regiões. Ana Castela canta durante gravação de DVD na Festa do Peão de Barretos 2025 Érico Andrade/g1 Ana Castela aparece como uma figura central da nova geração de artistas. “Ela fez uma revolução na roupa de rodeio das mulheres, por exemplo, a volta de venda de chapéu para mulheres, chapéu cor-de-rosa”, explica Piunti. Em várias músicas, a boiadeira canta sobre o orgulho de suas raízes. Em “Olha Onde Eu Tô”, tema de abertura da novela “Coração Acelerado”, a artista canta sobre se manter fiel à própria identidade diante de um parceiro que tenta fazê-la abandonar suas origens. “É mais uma revolução dentro do sertanejo, que é essa questão do orgulho do jovem de falar que é do campo: ‘Eu sou mesmo, não tenho problema nenhum, quero comprar minha caminhonete, quero ter a minha fazenda, o meu rancho e me vestir do jeito que eu gosto’, diz Piunti. VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias sobre a região no g1 Campinas

FONTE: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/e-pra-cantar/noticia/2026/05/04/cabelo-longo-correntes-e-oculos-escuros-como-leo-canhoto-e-robertinho-mudaram-a-cara-do-sertanejo.ghtml


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